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País dos jumentos

21 mar, 2009
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Uma coisa que me incomoda muito é quando um estrangeiro me faz lembrar da situação precária do Brasil e rotula o brasileiro como um ser inferior intelectualmente. Agora, o que mais me incomoda é eles terem razão.

"To correndo atrás do tempo perdido, né fio?"

"To correndo atrás do tempo perdido, né fio?"

Então foi feito uma pesquisa nas escolas do Rio de Janeiro, e resultou o seguinte: de 210 mil alunos do quarto, quinto e sexto anos, 25 mil foram considerados analfabeto funcionais. Que beleza, e não é que o brasileiro tem parentesco com o jumento? É isso que acontece quando pais analfabetos, tentam educar seus filhos, sem nenhuma estrutura e nenhum programa de orientação do Estado. É claro que os filhos vão fazer a coisa mais óbvia: seguir o exemplo dos pais.

O analfabeto funcional é facilmente identificado, normalmente quando uma pessoa que tem um grau razoável de conhecimento da língua portuguesa, se encontra com uma pessoa que tem, digamos assim, nem tanto conhecimento assim. O CFC (Curso de Formação de Condutores) é um belo exemplo disso.

Me lembro como se fosse ontem o exercício mais temido por aquela classe: a leitura em voz alta. Quando as pérolas começavam a voar pelos ares, era muito difícil conter o deboche. A leitura em voz alta logo se transformava em algo que mais parecia um jogo de advinhação de palavras por um gago fanho, era terrível. Apesar de ser engraçado, é na verdade muito triste. Muito triste que, aos olhos do mundo, o brasileiro é um povo burro e sem cultura, a não ser que você considere “samba”, “caipirinha” e “mulatas” algum tipo de cultura, porque não o é, muito triste que, mesmo com alguma graduação, você é visto como um jumento lá fora.

A culpa também é desse conceito de ensino ultrapassado onde o aluno senta na cadeira com lápis, caderno e borracha, sendo que há uma hora atrás ele estava numa Lan House jogando e teclando com seus amigos via internet. A instituição de ensino, se não abre as portas pra inovação, vai ser pra sempre um atraso na minha vida e de todos os brasileiros. Com uma verba de digamos, 10 mil, a escola compra até uns 20 computadores ou mais pra ensinar aqueles arrombados que eles tem que ser alguém na vida, e melhorar a situação do brasileiro no exterior.

Isso que a tal pesquisa ocorreu no Rio de Janeiro, que supostamente era pra ser uma grande potência na formação de crianças, claro, apesar das 500 favelas malditas que lá existem. O Sudeste, orgulho do Brasil, já é precário, agora imagine você se essa mesma pesquisa fosse feita na Bahia, ou naquele monte de mato que tem ali do lado?

O Brasil dos paulistas

O Brasil dos paulistas

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