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Hieroglifo finalmente traduzido resolve mistério do fim da idade do bronze

18 out, 2017
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O colapso da Idade do Bronze é o maior cataclismo da Antiguidade. Como a queda de Roma, 1700 anos depois, serviria para delimitar o fim de uma era. Por volta de 1200 a.C., a massiva incursão militar daqueles que os egípcios chamaram de “Povos do Mar” começou o que foi a primeira Idade das Trevas, como os gregos a chamaram.

Da Grécia às costas do Egito, cidades seriam arrasadas e abandonadas. Povos urbanos se tornariam rurais. O império hitita foi partido em pedaços. A cultura dos gregos foi aniquilada, a ponto de passarem 400 anos sem história escrita.

Com apenas relatos inimigos sobrevivendo, o que exatamente aconteceu e quem eram os Povos do Mar nunca ficou claro. Agora, um texto hieroglífico encontrado há quase 140 anos ajuda a esclarecer o mistério. E os culpados, ao menos em parte, foram os famosos troianos dos poemas épicos dos gregos.

Gravado em pedras, o texto foi encontrado em 1878 na vila de Beyköy, Turquia, pelo arqueólogo Georges Perrot. Ele copiou em papel o que dava um total de 95 metros de escrituras, antes que os moradores do local usassem as pedras para construir uma mesquita.

A tradução levou tanto tempo porque os hieróglifos não eram do bem conhecido tipo egípcio. Eram hieróglifos lúvios, povo indo-europeu da Ásia Menor (atual Turquia).

Essa foi a missão final do arqueólogo britânico James Mellaart, que morreu em 2012, deixando instruções à sua equipe para terminar a tradução. Mellaart era o proprietário da cópia da cópia de Perrot, já que a primeira foi perdida num incêndio no século 19.

O manuscrito basicamente afirma que um poderoso reino lúvio chamado Mira, liderado pelo rei Muksus de Troia, moveu uma massiva campanha contra o sul, conquistando tudo até o Egito.

Troia não é lenda. Não é de hoje que sabemos. Foi descoberta em 1865 às costas da Turquia, ao sul do Estreito de Dardanelos. Retratados na Ilíada, os troianos eram os arqui-inimigos dos gregos e historiadores sempre debateram qual sua identidade. Suspeitas recentes eram que fossem mesmo os lúvios, o que o manuscrito acaba de comprovar.

A Ilíada e a Odisseia são relatos em verso atribuídos ao poeta Homero, que talvez seja mitológico. A primeira é o relato da guerra, a segunda, o que aconteceu depois. Baseiam-se na memória de uma guerra de quatro séculos antes, transmitida oralmente.

Presente de grego

O famoso cavalo não aparece na Ilíada, mas é mencionado brevemente na Odisseia, como criação do herói Odisseu. A história só aparece em detalhes por um texto muito posterior, a Eneida, do romano Virgílio, no século 1 a.C.

Um cavalo gigante de madeira é dado de presente aos troianos, uma suposta oferta de paz. Secretamente, está recheado de soldados gregos que, à noite, saltam para abrirem os portões, permitindo a entrada do resto do exército e causando a aniquilação de Troia.

Dado o estrago causado pelos troianos inclusive aos gregos, é difícil acreditar nessa história. Ao menos eles agora parecem um tantinho mais espertos que os gregos pensavam.

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