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Conheça a história da Cinderela do Egito

21 set, 2018
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Existem versões parecidas com a história de Cinderela, em que uma garota plebeia se casa com um governante graças a um sapato perdido. Somam mais de 300 histórias, entre vários povos. Mas a mais antiga foi escrita no Antigo Egito- aproximadamente no ano 7 a.C.

Aconteceu certa vez, que Rhodopis veio para banhar-se no rio Nilo. Linda como a aurora era Rhodopis, sua boca era pura e cheia de bondades, as suas mãos nunca tinham feito mal algum e sua aura brilhava com a luz da verdade. Em meio aos seus papiros na margem do rio, ela deixou seu vestuário branco puro e um par de pequenas sandálias douradas. Então se jogou de leve no seio do velho Pai Nilo. Mas enquanto ela se divertia em suas águas, veio voando em sua direção, uma águia poderosa, que espiou por entre os papiros e viu o brilho do ouro. A águia mergulhou e apreendeu uma das belas sandálias douradas e subiu novamente para os céus. Rhodopis gritou e estendeu os braços, mas a águia já havia sido perdida de vista nos feixes brilhantes de Ra, o Sol.

Por acaso, nessa mesma hora, estava sentado em seu templo o próprio rei da cidade real de Memphis, a administrar a justiça, tendo em sua cabeça as coroas do Alto e do Baixo Egito. Alguns soldados vieram arrastando um pobre camponês preso por correntes em sua direção.

“Este homem não vai pagar o seu imposto de um décimo de sua colheita para o teu celeiro real” Disse o cobrador de impostos.

O camponês então caiu de joelhos diante do rei.

“Saudações à ti, grande Senhor da verdade e da justiça!”. Ele gritou. “Os vermes destruíram metade do meu trigo, enxames de ratos devastaram meus campos e pequenos pássaros comeram o que sobrou. Então apareceu teu cobrador de impostos para exigir o pagamento real. Quando lhe respondi que não tinha milho nem para mim mesmo e, portanto, nenhum para te dar, lá vieram os guardas com correntes e porretes. Eles me jogaram no chão, me amarraram e me jogaram diante de ti e prenderam minha esposa e filhos. Justiça, ó rei! Justiça!”.

O rei então se levantou e se dirigiu ao cobrador de impostos.

“Tu tens oprimido os pobres, o imposto é para aqueles que podem pagar e que têm recursos para isso. Este homem deve ser solto”.

Então o rei mandou aqueles que detiveram o camponês, soltá-lo, dar-lhe comida e bebida e presentes para sua esposa e filhos.

“Eu nunca maltrataria nenhuma criança ou mulher. Vá em segurança para tua casa, meu homem. Tu não tens trigo ou milho, é verdade, mas tu tens um tesouro maior, aqueles que te amam e te apreciam”.

Então o rei  se sentou cansado em seu trono a pensar tristemente que não possuía nenhuma mulher ou filhos. Nenhuma mulher tinha sido digna de compartilhar seu trono e ajudá-lo a governar seu povo. Enquanto ele meditava sobre o que não tinha, veio sobre ele uma águia poderosa e deixou cair em seu colo uma minúscula sandália dourada de uma donzela.

“Quem poderia usar calçados tão pequenos e delicados como esse?”. E o rei pensou na pequena dama a quem o sapatinho poderia servir. “Não vou ouvir mais queixa hoje”, disse o rei voltando para seu palácio. Uma vez sozinho , ele pegou a sandália novamente e estudou-a. Quanto mais ele olhava, mais bonito os sapatinhos pareciam, e cada olhada aumentava sua curiosidade sobre a moça a quem ele pertencia. Finalmente ele chamou o chefe dos escribas. “Quero que escreva para mim uma proclamação real!”, ordenou.

O escriba então pegou um pedaço de pergaminho e começou a escrever.

“Todas as donzelas que pertencem à minha terra, terão que experimentar esta sandália”, disse o rei. “Aquela cujo pé encaixar adequadamente, será minha rainha”.

Quando o escriba terminou seu trabalho, ele saiu para a cidade com a sandália em uma esplêndida almofada. Em todos os lugares públicos o escriba leu a proclamação do rei, e logo apareceram donzelas para experimentar a pequena sandália. Havia moças de alto grau e donzelas de baixo grau, algumas eram filhas de nobre e outras de ferreiros, havia filhas de ourives e de oleiros, mas em nenhuma delas o belo sapatinho servia.

Os dias se passaram e o rei estava entrando em desespero. Estava se tornando cada vez mais difícil encontrar a misteriosa moça, mas com o tempo passando, mais certo o rei ficava de que aquela a quem o sapatinho pertencia, devia ser sua rainha.

Então um certo dia veio o escriba em companhia do pobre camponês que o rei havia liberado dias antes de seu imposto e sussurrou em seu ouvido:

“Vá para a Esfinge pelas grandes pirâmides do deserto. Todos os dias no sol nascente, uma moça bonita como o amanhecer banha-se no rio Nilo”.

O escriba deu a notícia ao Rei, e na manhã seguinte, nos primeiros raios de sol o rei tomou um manto e saiu às escondidas pela areia do deserto à procura da linda donzela. Por fim a encontrou a saudar o amanhecer enquanto o rei Ra surgia no horizonte. A moça começou a cantarolar uma canção em homenagem ao rei Sol.

“Tu aparecendo é bonito no horizonte do céu”, ela cantou. “Tu enches todas as terras com a tua beleza. Os pássaros voam em seus raios com suas asas te adorando. Quantas são as coisas que fizeste!  Tu criaste a terra por tua vontade, tu sozinho, com povos e rebanhos”.

Mal o rei viu o rosto rosado da donzela refletindo no sol, chegou a conclusão de que realmente aquela era a moça com quem gostaria de se casar. Quando ela terminou sua canção, sentou-se na pata da Esfinge, então o rei tomou a sandália e partiu humildemente em direção a moça.

“Ó donzela que brilhas como o sol”, ele gritou, “isto lhe pertence?”.

A moça sorriu quando viu o que o rei tinha nas mãos, então estendeu seu pé descalço e colocou-o facilmente na sandália. Então tirou o outro pé do meio de suas coisas e lá estava o companheiro para a maravilhosa sandália dourada.

Então o rei perguntou-lhe se aceitaria ser sua rainha, obtendo em seguida sua resposta.

“O grande senhor, tu aparentas verdade e justiça, peço nada mais do que compartilhar uma vida contigo”.

Então o rei a levou para o palácio. Foi colocada em sua cabeça a coroa de rainha do Egito. O rei justo e misericordioso ficou então ao lado de sua amada companheira de bochechas rosadas que calçava pequenas sandálias douradas.

De qualquer forma, os estúdios Disney usaram uma mistura das versões da história em sua adaptação.

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