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Conheça a doença medieval que causava alucinações e perda de membros

29 ago, 2019
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As doenças medievais eram brutais. Desde a Peste Negra, que fundamentalmente transformou o mundo, os europeus medievais lidaram com todos os tipos de doenças misteriosas e agonizantes. E aqui está outra para adicionar a essa lista: Fogo de Santo Antão.

Com a doença, as pessoas tinham fortes alucinações, e sentiam que seus membros estavam pegando fogo. As amputações eram frequentes no decurso da doença. As extremidades, após um processo de mumificação, chegavam a desprender-se sem sangrarem.

Isso foi causado pelo ergot , um fungo que podia infectar o grão de centeio. Em francês, “ergot” é o esporão das patas do galo, e o fungo tem uma forma semelhante. Entre outras toxinas, produz ergotamina. Como o trigo era caro, o ergotismo atingia mais as classes desfavorecidas na França, na Rússia e na Alemanha.

Centenas de hospitais surgiram para oferecer tratamentos contra o Fogo de Santo Antônio, mas ninguém sabia o que tinha causado a doença. Durante séculos, os europeus se perguntaram: o fogo de Santo Antônio é contagioso? Foi enviado por Deus como punição? E alguma coisa poderia curar a doença?

Um nobre vendeu sua cura como “grãos sagrados” (isto é, grãos não infectados), mas milhares morreram de ergotismo antes que os agricultores percebessem o tamanho do problema. E mais: há uma conexão entre o fogo de Santo Antônio e o LSD – que pode ter influenciado a arte renascentista.

Conheça um pouquinho mais sobre essa doença medieval:

Começou com membros que pareciam pegar fogo e alucinações infernais

A doença começou com uma leve sensação de queimação na pele. Logo, manchas vermelhas cobriam o corpo da pessoa infectada, que sentia como se seus membros estivessem em chamas. Então, seus braços inchavam e ficavam vermelhos. Alucinações terríveis os atormentavam, convencendo-os de que os demônios estavam atacando seus corpos antes de arrastá-los em uma jornada para o inferno.

Finalmente, a gangrena se instalava e os dedos das mãos e pés da vítima caiam um a um. Uma vez infectados, poucas pessoas conseguiram sobreviver.

O mesmo fungo que causou membros a cair Também criou o LSD

As alucinações que as pessoas sofreram depois de comer o fungo do centeio foram reais – tão reais que o fungo está quimicamente ligado ao LSD. Em 1938, um químico suíço chamado Albert Hoffman estava experimentando o fungo do ergot quando acidentalmente sintetizou uma droga psicodélica chamada LSD.

De fato, as similaridades químicas entre o LSD e o fungo são transferidas para os efeitos das substâncias. Ambas causam alucinações severas, e ambas têm uma longa história de influenciar a arte – o ergotismo moldou alguns mestres da Renascença, enquanto o LSD conduziu o movimento artístico psicodélico nos anos 60.

O pior surto na França matou 40.000 pessoas

Em 944 dC, um surto de fogo de Santo Antônio atingiu o sul da França, matando 40.000 pessoas. O clima frio e úmido naquele ano ajudou o fungo a crescer, infectando o centeio que foi moído em farinha. Os camponeses usavam centeio e usavam a farinha para fazer pão, mas não sabiam que estava contaminada com uma toxina mortal.

Em 945, outro surto atingiu Paris. Desta vez, a cura era um estoque de “grãos sagrados” distribuídos por Hugh, o Grande, um aristocrata que distribuía grãos não infectados na igreja de Santa Maria. Antes que as vítimas percebessem que a doença era causada por grãos mofados, os grãos de Hugh eram descritos como milagrosos – mas, na verdade, eles só não estavam infestados de ergot.

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