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Conheça a “bíblia do diabo”: o maior livro da Idade Média

16 abr, 2018
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Chamado de Codex Gigas, o “livro gigante” foi escrito por um monge- e há uma macabra lenda sobre o que o Diabo faz nele.

Quando o exército sueco invadiu e saqueou praga em 1648 (Quando a guerra dos Trinta anos estava perto do fim), eles encontraram um livro grande, pesado e desgastado. Parecia um livro comum até encontrarem uma página inteira ilustrada com o Diabo. Sem pensar muito, a obra ganhou o apelido de “A Bíblia do Diabo”.

Naquela época, os suecos não tinham nem noção de que tinham nas mãos o maior manuscrito medieval encontrado até os dias de hoje.

Como ninguém sabe o nome verdadeiro do manuscrito, e ele precisava de um nome mais decente, ele foi chamado de Codex Gigas, que em português significa Livro Gigante. Não se sintam decepcionados pela falta de criatividade, o livro é realmente gigante: ele tem 310 páginas, 89 centímetros de altura, 49 centímetros de largura e pesa aproximadamente 75 quilos!

Mas quanto ao conteúdo: não é nada diabólico. O livro conta com uma coletânea de textos com diferentes temas e períodos como o antigo e novo testamento completos, uma enciclopédia de Isidoro de Sevilla, textos relacionados à técnicas medicinais e vários outros assuntos misturados.

O Codex Gigas é assinado pelo monge Herman Inclusus. Quem foi ou por que desenhou o Diabo ninguém sabe. Temos apenas lendas, e é a mais famosa delas que vamos contar para vocês aqui no Versinho.

O livro foi escrito no século 13, por um monge que vivia no mosteiro Beneditino de Podlažice, na antiga Boêmia, hoje República Tcheca. O religioso, que estava prestes a ser punido por quebrar os seus votos, encontrou uma luz no fim do túnel: concordou em transcrever todo o conhecimento da humanidade em uma única noite.

O monge se viu sem saída. Desesperado, convocou o Diabo e ofereceu a sua alma em troca de ajuda para concluir o livro a tempo. Uma vez que cumpriu o combinado, Lúcifer deixou um autorretrato na obra.

Pesquisadores acreditam que a lenda do monge punido pode ter nascido a partir de uma interpretação errônea da assinatura do nome Herman Inclusus (“Herman, o Recluso”) encontrada na obra. Antigamente a palavra inclusus era interpretada como “punição horrível”, mas o verdadeiro significado está mais para “recluso” ou “solitário”.

Além disso, um estudo feito pela National Geographic em 2015 e liderado pelo paleógrafo Michael Gullick, da Biblioteca Nacional da Suécia, revelou que a caligrafia utilizada para redigir os textos e a assinatura comprova que o grande livro foi realmente escrito por uma única pessoa.

Testes feitos para recriar a caligrafia sugerem que seriam necessários cinco anos de trabalho frenético para criá-la. O monge passou boa parte de sua vida se dedicando apenas à Bíblia do Diabo. O Codex Gigas foi devolvido a Praga em 2007 e ficou lá por um ano. Em 2009 foi apresentado durante uma exposição da Biblioteca Nacional da Suécia, mas atualmente não está mais exposto ao público. Você pode visualizá-lo aqui.

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