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Black Friday: vale a pena no Brasil?

A “Sexta-feira Negra” é uma tradição americana que se transformou em um dos dias mais aguardados do ano para as compras, tanto pelos consumidores quanto pelos lojistas. O motivo? Os descontos.

Descontos bem generosos de até 80% atraem multidões de clientes que ficam atentos aos melhores preços, e realmente desesperados para aproveitar as ofertas. Por conta disso, é comum encontrar na Internet diversas imagens e vídeos de pessoas caindo e brigando para conseguir comprar alguma coisa.

Com o grande impacto positivo no mercado do país, a data começou a ser “exportada” e também chegou aqui no Brasil há algum tempo. Mas, será que vale a pena aguardar as ofertas?

Entendendo um pouco da história

A grande liquidação acontece sempre na última sexta-feira de novembro, um dia depois do feriado de Ação de Graças, um dos mais importantes dos EUA. Mas esta data não foi por acaso.

Entre os séculos 19 e 20, o presidente americano Abraham Lincoln começou uma tradição no país com o nome “Dia de Ação de Graças”. Simbolizando um dia para fazer os agradecimentos a Deus pelos bons acontecimentos do ano e todas as bênçãos, o feriado de Thanksgiving, como também é chamado, é comemorado na última semana de novembro e pode cair na quarta ou quinta quinta-feira do mês.

Porém, em 1939 aconteceu algo diferente, coincidentemente a última quinta-feira do mês foi também o último dia de novembro. Os lojistas ficaram muito preocupados com isso, pois deixaria o período de comprar para o final de ano muito curto. Eles resolveram enviar uma petição ao presidente da época, Franklin Roosevelt (1882-1945), pedindo que o início das festas fosse marcado para uma semana mais cedo. A solicitação dos comerciantes foi atendida, e por conta disso, pelos três anos seguintes o Dia de Ação de Graças ficou apelidado de Franksgiving.

Para que isso não acontecesse novamente, no final de 1941 uma resolução do Congresso finalmente solucionou o problema. Daquele ano em diante, o feriado dedicado à gratidão seria comemorado sempre na quarta quinta-feira de novembro e isso garantiria ao comércio uma semana extra de compras até o Natal.

E então você pode pensar: aí surgiu a Black Friday. Mas a verdade é que o primeiro uso deste termo não foi nem de longe por um motivo bom, e sim para classificar uma crise econômica que aconteceu bem antes.

Na sexta-feira, 24 de setembro de 1869, dois renomados bolsistas de Wall Street, Jay Gould e Jim Fisk, depois de trabalhos intensos para alcançarem grandes lucros, fracassaram no seu plano e o mercado entrou em crise. Devido à proporção, o dia ficou conhecido como Black Friday.

Outra história que acompanha o nome da tradição dos descontos tem a ver com pequenos comércios que, depois de um ano de grandes perdas – representando os números vermelhos nas contas – após o dia de Ação de Graças, como chegava a época do Natal, as vendas começavam a alavancar e com isso os saldos sairiam do vermelho e eles conseguiriam “números negros”, ou seja, positivos.

E existem ainda algumas pessoas que acreditam que o termo se originou no dia 19 de novembro de 1975, quando o jornal conceituado New York Times adotou pela primeira vez o adjetivo “negro”, se referindo à quantidade de poluição nos trânsitos e ao caos que havia ocorrido na cidade de Nova York naquele ano, dado aos descontos expressivos que foram anunciados no dia seguinte ao dia de Ação de Graças.

Em 2013, começava a circular na Internet um boato de que o termo “Black Friday” não seria apenas uma estratégia de marketing para alavancar as vendas para o final de ano, e sim uma forma de comércio na época dos escravos, nos Estados Unidos, em que os mercadores ofertavam desconto para os proprietários de terras. Mas o site E-Farsas apurou as informações e descobriu que se tratava de uma Fake News.

Embora seja cheio de histórias e boatos, o nome Black Friday começou a ser utilizado no contexto que conhecemos hoje na Filadélfia em meados da década de 1960, e só se espalhou para todo o território norte-americano na década de 1990. Após influenciar positivamente nos saldos dos comerciantes por vários anos consecutivos, a data foi se consolidando como o melhor dia para fazer compras. E não foi um processo muito rápido: a data só ganhou a importância que tem hoje no início dos anos 2000.

Com o sucesso de vendas, a data começou a ser adotada em vários países do mundo. O primeiro a utilizar também esta estratégia de vendas foi o Canadá, que passou a oferecer suas próprias liquidações e aos poucos acabou ganhando sua própria identidade, mudando o nome para Boxing Day e a data para 26 de dezembro, logo após o Natal. No México a estratégia já chegou com outro nome, El Buen Fin, que significa “Bom fim de semana” com uma duração um pouco maior, o final de semana inteiro, como o próprio nome sugere. A comemoração é associada ao aniversário da revolução de 1910 no país, que coincide eventualmente com a mesma data que o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos.

No Brasil, a Black Friday só chegou oficialmente em 2010, e era adotada majoritariamente pelas lojas online. Como o feriado de Ação de Graças não existe aqui, a data começou a ser incluída no calendário comercial do país quando os comerciantes perceberam o potencial de vendas do dia. A primeira grande liquidação foi organizada por um site especializado em cupons de desconto que atua nas principais lojas virtuais do país, Busca Descontos.

No ano seguinte, a rede de hipermercados Extra adotou a estratégia de vendas tanto online como também em suas lojas físicas e, por conta disso, muitos lojistas começaram a se sentir mais atraídos pela Black Friday, dentro e fora da Internet.

Embora aos poucos os comércios percebessem o potencial de aumentar suas vendas com a data, de acordo com especialistas o que impediu que o evento se tornasse uma tradição aqui no Brasil mais cedo foi a resistência dos empresários que vivem do comércio. Eles tinham medo de promover os descontos massivos antes do Natal, já que a queima de estoque sempre aconteceu depois do Ano Novo.

Mas uma coisa é impossível negar, nas primeiras vezes que a Black Friday apareceu aqui no Brasil não foi nem de longe aquela maravilha que a gente costumava ver acontecendo nos Estados Unidos e a maioria dos descontos não valia a pena, fazendo com que a data recebesse o apelido de Black Fraude. Em meados de 2012 apareceu, inclusive, um meme que ficou muito famoso: “compre tudo pela metade do dobro”. Muitas outras coisas desagradáveis acabaram acontecendo até o Procon tomar partido dos consumidores.

Mesmo precisando de alguns anos de expansão até se consolidar, e enfrentando probleminhas em relação aos descontos que alguns estabelecimentos divulgavam, hoje a Black Friday fica somente atrás do Natal no que diz respeito à importância comercial no país.

Como evitar a Black Fraude?

É preciso tomar cuidado para garantir uma compra sem aborrecimentos na Black Friday, por isso trouxemos oito dicas iniciais de cuidados e atitudes que podem ser tomadas:

1- Pesquise os preços com antecedência

Para não cair naquela pegadinha de “tudo pela metade do dobro”, pesquise com antecedência o preço dos produtos que você tem interesse. Assim, você conseguirá avaliar se a oferta vale realmente a pena ou se não passa de uma enganação.

2- Compare os preços com outras lojas

Mesmo que o produto esteja com desconto na loja que você está realizando sua busca, vale a pena comparar o preço com outras lojas igualmente confiáveis. Assim, você garante que vai aproveitar a melhor oferta.

3- Busque conhecer a reputação das lojas

Em sites como o Reclame Aqui, é possível ver como a empresa lida com as pessoas que passaram por eventuais problemas com a loja. Outro ponto muito importante é buscar as informações básicas da loja como CNPJ, endereço e telefone.

4- Desconfie de valores muito abaixo da média

Para sobreviver, as lojas precisam de uma margem de lucro na venda de seus produtos. E embora existam casos especiais em que grandes lojas promovem a queda de preço acentuada em alguns produtos, é muito mais difícil de realmente acontecer em sites cuja reputação é desconhecida.   

5- Prefira pagar suas compras online com o cartão de crédito

Embora algumas lojas oferecem descontos maiores para pagamentos à vista no boleto bancário, especialistas advertem que utilizar o cartão de crédito é a opção mais segura, pois o consumidor conta com o apoio do banco em caso de algum problema com a compra.

6- Preste atenção nos prazos de entrega e nas condições de troca e devolução

Ao fazer uma compra online, o cliente precisa ficar atento, pois em razão da Black Friday, algumas lojas podem alterar suas políticas de troca e devolução. Não se esqueça de ler as letras miúdas!

Além disso, é comum ocorrer um congestionamento nas entregas devido ao crescimento no volume de vendas, então confira o prazo direitinho para evitar crises de estresse desnecessárias.

7- Cuidado com ofertas enganosas por e-mail

Fique atento com os e-mails de ofertas que chegam para você. Muitos hackers aproveitam o momento para roubar dados dos consumidores. Por isso, só clique em um link se conhecer a loja e sempre confira o endereço da página para a qual você estiver sendo redirecionado.

8- Denuncie se enfrentar qualquer problema

Todo consumidor que se sentir lesado ou enganado pode acionar o Procon, que tem acompanhado de perto as promoções da Black Friday. Caso seja comprovada alguma irregularidade, a empresa pode ser multada de acordo com a infração cometida.

O que as pessoas geralmente buscam na Black Friday?

O Google, em parceria com a consultoria Provokers, realizou uma pesquisa sobre o comportamento dos brasileiros em relação à Black Friday de 2019. A pesquisa mostrou que 71% das pessoas entrevistadas afirmaram ter aproveitado pelo menos alguma vez as promoções da data – porcentagem que vem crescendo com o passar dos anos. Antes de 2013, apenas 13% compraram algum produto ou serviço durante a promoção, enquanto em 2014 o número subiu para 30% e em 2016 alcançava quase o dobro, 55%.

Mas uma coisa que permanece praticamente inalterada em todas os anos das pesquisas feitas pela Gigante de buscas é o interesse por produtos eletrônicos. Em todos os anos, este é o tipo de produto que mais fatura, sendo responsável por uma grande porcentagem de vendas feitas no período.

Entre os produtos que têm a maior intenção de compra no ano de 2019 para a Black Friday estão os Smartphones (48%), computadores (38%), eletrodomésticos (36%), roupas (34%), calçados esportivos (32%) e perfumes (33%).

Uma das grandes expectativas para este ano na seleção de Smartphones são os modelos da Apple, que este ano já apresentou o iPhone 11 e reajustou ou descontinuou uma série de dispositivos anteriores, que provavelmente entrarão em promoção na Black Friday.

Afinal de contas, vale ou não a pena aguardar as ofertas da Black Friday?

Apesar do crescimento nas vendas da Black Friday no Brasil, algumas queixas antigas dos consumidores continuam, principalmente relacionados à maquiagem de preços.

Mas com certeza vale a pena conferir as ofertas de lojas confiáveis que se preocupam com seus clientes e oferecem preços bons de verdade. 

Uma das lojas que oferecem descontos sensacionais durante o ano todo e que leva a Black Friday muito a sério é a KabuM!, por isso fique de olho nas ofertas e não deixe de aproveitar!

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Written by Paula Muniz

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